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quinta-feira, 15 de maio de 2014

O pensamento transdisciplinar em criações artísticas que atravessam fronteiras do sonoro/musical

AUTOR:

Thiago Salas Gomes - Universidade Federal de São Carlos.

RESUMO:

A transdisciplinaridade pretende-se enquanto nova maneira de pensar e relacionar os conhecimentos possíveis sobre objetos e fenômenos, rompendo as barreiras das especificações de cada disciplina, permitindo aprofundamento e ampliação dos assuntos investigados, expandindo o conhecimento dos seus domínios tradicionais na proposição de uma formação integralizadora, na qual os conhecimentos são compreendidos além dos limites estipulados pela lógica comumente fragmentada de disciplinas especializadas. Uma parcela significativa da música atual vem experimentando novos espaços para a sua realização, conjugando trabalhos com outras áreas das artes como dança,  teatro, vídeo/cinema, literatura, entre outras, convergindo em novas práticas que, muitas vezes, não são facilmente enquadradas nas definições normatizadas pelas instituições artísticas modernas, situação esta que proporciona ao experimentalismo se deslocar dos espaços determinados pelos estabelecimentos culturais, como os museus e salas de concertos, e mover-se em direção à outros espaços, transpassando territórios e operando novas formas de ação (NYMAN, 1999). A arte sonora e a música experimental são exemplos destes escapes aos limites da “música”, buscando novas associações, apropriando-se dos espaços de outras áreas do conhecimento e trazendo novas utilizações para os saberes alocados geralmente em disciplinas especificas, motivando a criação de novos territórios de aplicação destes saberes. Buscamos neste texto trazer aspectos que pretedem discutir a manifestação de um pensamento transdisciplinar em práticas que atravessam as teorias tradicionais da música, relacionando um modo de criação que se situa na fronteira entre diferentes disciplinas e que busca soluções práticas prestadas à satisfazer necessidades criadas em ações que visam a integração e o deslocamento de diversas linguagens artísticas.

REFERÊNCIAS:
  • Ariza, C. (2009). 21M.380 Music and Technology (Contemporary History and Aesthetics), Fall (Massachusetts Institute of Technology: MIT OpenCourseWare), http://ocw.mit.edu (Accessed 28 Jul, 2011). License: Creative Commons BY-NC-SA. 
  • Boufleur, R. (2006). A questão da gambiarra: formas alternativas de desenvolver artesanatos e suas relações com design de produtos. Tese de Doutorado. Programa de Pós-Graduação em Arquitetura e Urbanismo, FAU-USP. São Paulo. 
  • Collins, N. (2007). Composing inside electronics. PhD by Publication University of East Anglia, Department of Music. Norwik.
  • Nicolescu, B. (1999). O Manifesto da transdisciplinaridade. Tradução: Lúcia Pereira de Souza. Triom. São Paulo 
  • Nyman, M. (1999). Experiemental Music: Cage and Beyond. Cambridge: Cambridge University Press. 
  • Nespoli, E. (2012). Reflexões acerca da metamorfose maquínica nos instrumentos sonoros. IV Seminário Música Ciência e Tecnologia: Fronteiras e Rupturas. 
  • Venturella, V. M. (2005). Rumo a uma abordagem transdisciplinar para a educação. In: II Congresso Mundial de Transdisciplinaridade. II Congresso Mundial de Transdiciplinaridade.

Estamparia Adinkra: um diálogo transdisciplinar entre África e Brasil

AUTOR: 

Flora Sipahi Pires Martins Figueiredo - Instituto de Artes da UNESP

RESUMO:

A presente comunicação refere-se a um projeto transdisciplinar que envolveu as áreas de História, Geografia e Artes Visuais e foi elaborado juntamente aos alunos do 4º ano do ensino Fundamental (9 a 10 anos) da Escola Viva, em São Paulo.
Nessa escola trabalhamos a partir de eixos temáticos que norteiam o currículo das diferentes áreas do conhecimento e que variam de acordo com a série escolar. No 4º ano, o eixo temático está diretamente relacionado às áreas de História e Geografia e às questões dos deslocamentos populacionais, trajetórias familiares e deslocamentos nas grandes cidades. Esse eixo temático é constituído a partir de perguntas norteadoras e pretende-se abordá-lo do ponto de vista transdisciplinar.
No segundo semestre, o estudo se volta para o continente africano, devido principalmente ao fato de um grande contingente populacional ter se deslocado da África para o Brasil, sobretudo no século XIX. Durante as pesquisas, cada grupo/sala pode eleger diferentes aspectos do continente para serem comentados, e, geralmente, alguns países são escolhidos para serem analisados com maior profundidade. Muitas das discussões e pesquisas realizadas nesse trabalho estão vinculadas aos estudos das manifestações artísticas e culturais dos povos africanos ou afro-brasileiros.
No atelier, no final do ano passado, aprofundamos nosso estudo artístico e antropológico sobre o continente africano ao nos voltarmos às produções do povo Axanti, do país de Gana. Nessa região homens e mulheres produzem carimbos e tintas para fabricar peças de estamparia vinculadas à simbologia Adinkra. Essa complexa simbologia foi desenvolvida pelo povo Axanti no século XVI e ainda sobrevive na região. Cada símbolo Adinkra está ligado a um provérbio ou significado e muitos se relacionam a animais, vegetais, corpos celestes e vida em sociedade.
Para estudarmos sobre esse essa manifestação artística, consultamos livros e assistimos a filmes na internet. Os alunos mostraram-se entusiasmados com a pesquisa e foram convocados pela professora Atelierista a elaborar seus próprios símbolos bem como criarem seus carimbos. Cada criança confeccionou dois carimbos com madeira e E.V.A. e em seguida, pôde experimentar as técnicas de impressão em suporte como papeis e tecidos. Inspirados pela observação dos motivos geométricos e de suas repetições presentes nos tecidos africanos, os alunos criaram, primeiro individualmente e depois, coletivamente padrões em estampas.
Ao longo do processo, surgiram variados tipos de formas e significados relacionados aos carimbos confeccionados, bem como diferentes combinações e padrões gráficos nas estampas produzidas. Estas estampas e as fotos que registram o processo de criação das mesmas foram expostas a toda comunidade escolar durante o evento da série. O processo de trabalho mostrou-se como uma interessante oportunidade de lançar olhares para outro contexto cultural e, a partir daí criar pesquisas artísticas, conectadas aos valores e à sabedoria da simbologia Adinkra.

REFERÊNCIAS:
  • Nascimento, Elisa L. (2009). Adinkra: sabedoria em símbolos africanos. Rio de Janeiro: Pallas. 
  • Sommerman, A., Mello, M. F., & Barros, V. M. (2002). Educação e Transdisciplinaridade. São Paulo: Triom. 
  • Fazenda, Ivani C. A. (1991). Interdisciplinaridade: um projeto em parceria. São Paulo: Loyola. 

O que se ensina e o que se aprende nas licenciaturas em Artes Visuais a distância?

AUTOR:

Jurema Luzia de Freitas Sampaio - Doutora em Artes Visuais pela ECA/USP, Editora-chefe da Revista Digital Art& (www.revista.art.br).

RESUMO:

Esta reflexão é a síntese do relatório de qualificação da pesquisa de doutorado em Artes Visuais na Escola de Comunicação e Artes da Universidade de São Paulo - ECA/USP, intitulada “O que se ensina e o que se aprende nas Licenciaturas em Artes Visuais a distância?”, que tem como meta realizar análise crítica de currículos de formação de profissionais de ensino de Artes Visuais nos cursos de licenciatura em Artes Visuais oferecidos na modalidade a distância, buscando mapear a epistemologia da EaD em artes visuais. Refere-se às análises preliminares dos dados colhidos na pesquisa, apresentados na qualificação. A pesquisa está fase final de sistematização do relatório de conclusão, como forma construir um “retrato” da atual situação da Educação a Distância em Artes Visuais no Brasil.

REFERÊNCIAS:
  • Brasil. (2012) Universidade Aberta do Brasil - UAB. Disponível em <http://uab.capes.gov.br/index.php?option=com_content&view=article&id=6:o-que-e&catid=6:sobre&Itemid=18>. Acesso em: 01 de mai.2012.
  • Lobo Neto, F.J.S. (2000) Educação à distância: regulamentação, condições de êxito e perspectivas. Disponível em: <http://www.intelecto.net/ead_textos/lobo1.htm>. Acesso em: 03 dez.2000.
  • Mattar, João. (2012) Tutoria e integração em educação a distância. Série Educação e Tecnologia. São Paulo: Cengage Learning.
  • Sampaio, H. (1991) Evolução do ensino superior brasileiro, 1908 – 1990. NUPES/USP.
  • Sampaio-Ralha, J.L.F. (2003) A utilização da linguagem VRML na Educação a Distância em Arte. Dissertação de mestrado. IA/UNESP. 2003. Orientação Prof. Dr. Milton T. Sogabe.  Disponível em: <http://www.athena.biblioteca.unesp.br/exlibris/bd/bia/33004013063P4/2003/ralha_jlfs_me_ia.pdf>.
  • Sampaio, J.L.F. (2007) “Comunidades Virtuais - O que é, para que serve, porque usar; como usar e como não usar”. In: MORAES, Ubirajara Carnevale. (Org.) Tecnologias Educacionais e Aprendizagem: Estratégias no uso dos recursos Digitais. 1ª. ed. São Paulo: Livro Pronto, v. 1, p. 167-182.
  • Shneiderman, B. (2006) O Laptop de Leonardo: como o novo Renascimento já está mudando a sua vida. Rio de Janeiro: Nova Fronteira.

Visualidades em práticas transdiciplinares na formação de professores para a educação básica.

AUTOR:

Maria Emilia Sardelich - Universidade Federal da Paraíba (UFPB).


Para acompanhar a discussão durante a apresentação:
https://docs.google.com/file/d/0BxW1cFmN8ULlamdMbHl4QmRrSVU/edit?pli=1

CO-AUTORES:

Lady Polyanna Silva de Arruda, Universidade Federal da Paraíba/GPEAV,
Maria do Socorro Costa Limeira, Universidade Federal da Paraíba/GPEAV,
Maria Laudicéia Almeida Lira, Universidade Federal da Paraíba/GPEAV,
Shirley Tanure, Universidade Federal da Paraíba/GPEAV.

RESUMO:

No dia a dia do século XXI experimentamos a ineludível exigência por competências para lidarmos com o gigantismo do conhecimento. O crescimento sem precedentes do conhecimento também demanda a revisão constante de qualquer formação, especialmente a de professores. Inúmeros pesquisadores têm apontado que as Universidades e centros de formação de docentes se encontram, ainda, distantes do que se supõe a formação de competências para os desafios contemporâneos. Apesar das inúmeras reformas, que vem ocorrendo em diversos países do planeta, a prática comum na formação de docentes ainda tem a ver com um modelo anacrônico, porém resistente, da disciplinaridade em uma suposta aplicação direta da teoria na prática. Gatti e Barreto (2009) indicam que as entidades profissionais e científicas ainda são resistentes às soluções interdisciplinares devido a forte tradição disciplinar que marca os currículos das Licenciaturas no Brasil. Por outro lado, Nicolescu (1999) afirma que o prefixo “trans” refere-se àquilo que está, ao mesmo tempo, entre, através e além de qualquer disciplina, posto que seu objetivo é a compreensão do mundo presente. É com o intuito de participar desse amplo debate sobre as práticas transdisciplinares na formação de professores que apresentamos a experiência do Grupo de Pesquisa em Ensino das Artes Visuais (GPEAV), da Universidade Federal da Paraíba (UFPB) em sua pesquisa sobre os “modos de ver” a docência que circulam entre licenciandos da UFPB. Quais são as representações da docência entre os Licenciandos em formação no Brasil do século XXI, momento em que esta profissão conta com reduzido status social?  Como sinaliza Hernandez (2005), chegamos aos cursos de Licenciatura com uma identidade, uma biografia em construção alicerçada em nossas experiências de gênero, etnia e classe social. Vários pesquisadores da área, como Alves (2007), Blikstein (2006), Cunha (2001), afirmam que construímos uma concepção de docência na relação social que mantivemos ao longo da nossa escolarização, marcada pelo papel discente, o que levaria a uma inconsciente reprodução dos modelos aprendidos. Em geral, nos cursos de Licenciatura, parte do conteúdo de Didática trata da questão da identidade do professor. A identidade profissional é um processo de construção do sujeito e fundamenta-se na significação social da profissão, na revisão dos significados sociais dessa profissão, bem como das tradições e práticas consagradas (Pimenta, 1997). No componente curricular Didática trabalhamos com a memória educativa dos licenciandos para que estes possam fazer uma reflexão sobre a ação de seus professores e suas experiências como alunos. A produção da memória educativa abarca a linguagem verbal e visual. Na produção visual o Licenciando apresenta uma imagem que, para ele, represente a docência. A imagem pode ser de autoria própria ou alheia, produzida a partir de qualquer técnica. Essas imagens são compartilhadas e interpretadas pelo coletivo. Buscamos investigar a formação de professores, a partir das representações, crenças e preconceitos dos licenciandos, pois estes afetam a aprendizagem da docência, possibilitando ou dificultando as transformações.

REFERÊNCIAS:
  • Alves, Nilda (2007). Nós somos o que contamos: a narrativa de si como prática de formação. In: Elizeu Clementino de Souza.  Histórias de vida e Formação de Professores: Boletim 1, TVE, Salto para o Futuro, mar., 62-69.
  • Blikstein, Paulo (2006). Mal-estar na avaliação. In: Marco Silva & Edméa Santos. Avaliação da aprendizagem em educação online. São Paulo: Loyola.
  • Cunha, Maria Isabel da (2001). Aprendizagens significativas na formação inicial de professores: um estudo de caso no espaço dos cursos de Licenciatura. Interface, 5 (9),103 -116. 
  • Gatti, Bernadete Angelina & Barreto, Elba Siqueira de Sá (2009). Professores do Brasil: impasses e desafios. Brasília: UNESCO. 
  • Hernández, Fernando (2005). A construção da subjetividade docente como base para uma proposta de formação inicial de professores de artes visuais In: Fernando Hernandez & Marilda Oliveira (org.). A formação do professor e o ensino das artes visuais. Santa Maria: Editora Universidade Federal de Santa Catarina.  
  • Pimenta, Selma Garrido (1997). Didática e Formação de Professores: percursos e perspectivas no Brasil e em Portugal. São Paulo: Cortez.
  • Nicolescu, Basarab (1999). Um novo tipo de conhecimento: transdisciplinaridade. Anais do Primeiro Encontro Catalisador do CETRANS, Escola do Futuro, Universidade de São Paulo. Itatiba, SP, Brasil.